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BIM, uma nova cultura na Construção Civil

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Por Carlos Bonfim*

Na última década, o setor da Construção Civil apresentou expressivos índices de crescimento, contribuindo de forma significativa com o PIB Brasileiro. Até o ano de 2012, o setor vivia um cenário de financiamentos com taxas de juros atrativas, que impulsionaram o mercado imobiliário, e os programas: Minha Casa, Minha Vida e de Aceleração do Crescimento (PAC), significativos para as obras de infraestrutura, que foram fortes influenciadores para um bom resultado.

Esse cenário deixa um legado para o setor que busca por maior qualidade nas construções, maiores índices de desempenho, resultados de planejamento, produtividade e eficiência, atrelados a qualidade e redução de custos com cumprimento de prazos de execução.

A implantação da Norma de Desempenho (NBR 15575) e a busca por Construções Sustentáveis estabelecem um novo contexto no processo de concepção de projetos e construções, que requerem simulações, uma atuante gestão de integração de projetos, especificações mais detalhadas de materiais, domínio de técnicas construtivas, maior controle de custos e produtividade, gestão de obra alcançando uma durabilidade maior das construções. Nesse contexto, o BIM – Building Information Modeling ou Modelagem da Informação da Construção se destaca, propondo uma revolução nos processos de projeto e planejamento de obras, com foco no ciclo de vida das edificações.

BIM, atualmente, é um dos temas mais comentados e incompreendidos pela indústria AECO (Arquitetura, Engenharia, Construção e Operação). Parte da incompreensão está no fato de que BIM é um conceito em desenvolvimento que se transforma explorando os avanços proporcionados pela tecnologia da informação.

Os projetos concebidos no conceito BIM permitem a visualização em representação gráfica de um modelo tridimensional parametrizado, onde as relações espaciais de construção geométrica estão associadas a informações, permitindo a extração automática de quantitativos, auxiliando na estimativa de custos, bem como no monitoramento e planejamento da construção. O conceito BIM é também um método prático e eficiente de gestão, que elimina as incertezas encontradas durante a fase de construção.

“A modelagem da informação da construção (BIM) é uma representação digital das características físicas e funcionais de uma edificação e serve como um recurso de compartilhamento de informações, formando uma base confiável para decisões durante seu ciclo de vida”. NBIMS – National BIM Standard.

Isso porque, a modelagem BIM é orientada a objetos parametrizados, com informações alimentadas em um banco de dados, de forma que qualquer alteração feita no modelo tridimensional é repassada automaticamente, permitindo a extração de informações atualizadas de planilhas de preços e quantitativos ligados ao modelo virtual.

A adoção do paradigma BIM sugere uma revolução cultural para o setor, e quando se pensa em cultura significa todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano, grupo ou comunidade da qual somos membro. A tecnologia é pensada por pessoas e não podemos implantar novos processos sem que a comunidade esteja envolvida e participativa. O BIM não é perfeito e esse envolvimento pode permitir novas experiências dos projetistas e construtoras para alcançarmos melhores resultados.

As grandes construtoras, empresas de projeto e profissionais autônomos já estão buscando profissionais especializados em BIM, principalmente em países onde esta tecnologia é mais difundida. No Brasil, a indústria da construção está passando por uma mudança de paradigma com a introdução dos conceitos e tecnologias BIM e diversas iniciativas estão sendo desenvolvidas e implementadas pelo Governo, grandes clientes e agências regionais ao redor do mundo. Nesse contexto, os cursos de graduação de arquitetura e engenharia, assim como os programas de especialização, devem propor cursos focados na formação de profissionais especializados no tema.

Em maio de 2018, o governo federal publicou o decreto de n°9.377, que cria a Estratégia Nacional para a Disseminação do BIM. O principal objetivo dessa medida é disseminar e induzir a democratização do uso da tecnologia em todas as obras e projetos realizados pelas diversas esferas do governo federal. O decreto estabelece metas de redução dos custos da construção em 9,7% e de aumento da produtividade em 10% caso a adoção dos processos BIM pelas empresas se multiplique por dez, num prazo de 10 anos.

O relatório síntese com parte do estudo “Experiences Exchange in BIM – Building Information Modeling” (2015) no âmbito do projeto de cooperação MDIC/UE- União Europeia “Apoio aos Diálogos Setoriais UE-Brasil, Fase III” selecionaram consultores para condução de uma pesquisa estruturada do BIM na União Europeia e no Brasil com suporte do grupo de trabalho da FIESP/DECONIC apresentando um conjunto de recomendações e conclusões para difusão do BIM no Brasil. Segundo os dados levantados pelo relatório, a indústria da construção no Brasil está entre as maiores do mundo, sendo responsável por 2% da indústria global. A adoção dos conceitos e ferramentas BIM em uma indústria tão grande pode levar a um impacto significativo e estimulam iniciativas para aumentar a difusão do BIM no setor de AECO.

*Carlos Bomfim é arquiteto e urbanista, engenheiro civil, mestre em arquitetura e urbanismo e doutorando do Programa de Pós-Graduação da UFBA em Arquitetura e Urbanismo pesquisando a gestão de projetos integrados em BIM. Atualmente está coordenando o MBI – BIM (Master in Business Innovation – Building Information Modeling) no SENAI CIMATEC.

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