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O desafio da digitalização para os negócios

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Por Herman Lepikson*

Os empresários e líderes seniores das empresas têm forte preocupação em como a automação pode melhorar o desempenho dos seus negócios. Sem dúvida, automação contribui para aumentos de produtividade, e as organizações têm se beneficiado dela há décadas.

Quando se conversa com líderes seniores sobre suas motivações para automatizar, há dois tópicos em que eles estão sempre mais interessados: 1) Com que rapidez posso automatizar? e 2) Quantos empregos posso eliminar?

Perguntas erradas. Elas podem ter feito algum sentido há anos atrás, mas hoje estão fortemente deslocadas. Esta ansiedade por eliminar empregos continua nos modelos mentais dos dirigentes, mas de forma obviamente obsoleta. E a razão é simples: boa parte dos ganhos em produtividade pela automação já foi atingida nas melhores organizações, e os empregos devidamente reorganizados. Tome-se o exemplo da indústria automotiva: na década de 1980, 80% dos trabalhadores estavam no chão de fábrica. Hoje, 80% estão fora do chão de fábrica.

É preciso considerar ainda que essa mentalidade de automatizar e eliminar não é construtiva porque coloca os funcionários e o gerenciamento uns contra os outros e cria uma cultura de medo e confronto. E é anacrônica face ao verdadeiro desafio que as organizações hoje enfrentam: o da digitalização, que despontou como o principal motivador do que hoje se apelida de 4ª revolução industrial, como mostrarei adiante.

Esta revolução, como o nome já sugere, impacta profundamente os modelos de negócio. Veja-se, por exemplo, o que o Spotify fez com as lucrativas gravadoras, ou o Google, com as páginas amarelas e, agora, com as mídias tradicionais. Ou ainda a Uber, com os taxis, ou a Tesla, com a indústria automotiva. Deixo para os leitores completarem esta lista com suas próprias observações.

O que têm em comum esses novos negócios? A digitalização e, com ela, novos tipos de trabalho. Definitivamente, sai de cena a indústria tradicional, entra uma indústria que se propaga ao comércio e serviços, fortemente imbricados. Uber hoje investe nos seus próprios veículos, autônomos e até aéreos. A Embraer é parceira no desenvolvimento desses “táxis aéreos”, que são previstos já para 2020.

Sai de cena também a mão-de-obra, entra a “mente-de-obra”. Isto é, saem os operadores, entram os pensadores. Avalie você mesmo como será o futuro próximo de profissões como motoristas, secretários, balconistas, caixas de supermercado, frentistas, despachadores, contadores, advogados, analistas de imagens (RX, Tomografias…), operadores de call centers, vendedores…

Desde a 1ª revolução industrial, o problema não é sobre o eliminar empregos – ainda haverá necessidade de pessoas, assim como sempre houve, mas mudam os perfis esperados dos profissionais. Como as máquinas assumem cada vez mais as nossas tarefas rotineiras, há que se preparar para o que os humanos farão no futuro.

As características mais importantes do novo trabalhador foram já bem delineadas no Fórum Econômico Mundial de 2016: capacidades de solucionar problemas complexos, pensamento crítico, criatividade, trabalho em equipe. Ou seja, habilidades típicas da “mente-de-obra”.

Não se adestra mentes como se adestrava operadores para trabalhos repetitivos (aqueles que a automação já deslocou). Mente se educa, se convence. É um processo de praticamente vida inteira, que evolui e se aperfeiçoa continuamente. Leva tempo. Mente é um ativo estratégico, que retorna o investimento.

Mentes colaboram e, como tal, os resultados de grupos não simplesmente somam, mas multiplicam os dos indivíduos. E mentes não aceitam coação, muito menos serem vistas como itens de custos a serem otimizados (“otimizar” tem sido um eufemismo para “reduzir”). Elas vão aonde elas enxergam mais possibilidades, mais futuro. Não se prendem num emprego convencional.

As organizações também têm que evoluir, e rápido, para não serem abandonadas para trás nessa revolução acelerada. Isso implica em mudar os modelos mentais que orientam os paradigmas tradicionais de gestão e se rever profundamente, enxergar estrategicamente e agir proativamente para encontrar os melhores sócios (as “mentes-de-obra”), investir nelas e com elas e assim conseguir bem se situar nesse novo mundo digital.

*Herman Lepikson é Pesquisador Líder nos Institutos Senai de Inovação em Automação e Logística. Doutor e mestre em Engenharia pela UFSC em Sistemas de Fabricação; Especialista em Engenharia Econômica pela PUC-MG; Graduado em Engenharia Mecânica, pela UFBA. Atua nas seguintes linhas de pesquisa: integração da manufatura, manufatura digital e inteligente, sistemas ciberfísicos e mecatrônicos, sistemas autônomos e produtos inteligentes. Coordena o Grupo de Pesquisa em Integração Digital para Manufatura Avançada, grupo consolidado no CNPq. Professor do quadro permanente dos Programas de Pós-Graduação em Mecatrônica (UFBA) e Gestão e Tecnologia Industrial (CIMATEC), onde orienta alunos de mestrado e de doutorado.

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